AS SETE FACES DE DRUMMOND: LEITURAS E INTERPRETAÇÕES
COMEMORAÇÃO DO CENTENÁRIO DO POETA

Data: 31/10/2002
Horário: 9h00 e 19h30
Local: AUDITÓRIO MOZART MUSIC HALL


Confira aqui a galeria de fotos deste evento.


No dia 31 de outubro de 2002, comemoramos o centenário de um dos maiores poetas da literatura brasileira: Carlos Drummond de Andrade.

Em 1928, Carlos Drummond de Andrade deixava de ser apenas um desconhecido ao publicar seu poema No meio do caminho na Revista antropofágica. Surgia, naquele momento, um dos maiores poetas do nosso Modernismo e da nossa literatura; dois anos mais tarde publicaria seu primeiro livro de poesias: Alguma poesia. Era apenas o início de uma vida inteira destinada a escrever e publicar. A partir de então, tornou-se cronista e colaborador de diversos jornais e revistas. Mudou-se para o Rio de Janeiro, adotando essa cidades como sua, e passou a publicar trabalhos anualmente. Sem mencionar sua obra em prosa, ao chegar aos sessenta anos, dez livros de poesia compunham a obra do autor. Além de poeta e cronista, Drummond também traduziu para o português Balzac, Proust, García Lorca, Molière, entre outros. Ao mesmo tempo, sua obra ganhou reconhecimento internacional e foi traduzida para o espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, sueco, russo e holandês.

Embora considerado um poeta da geração de 30, visto que seu primeiro livro foi publicado nesse ano, Drummond já publicava desde a década de 20 no Diário de Minas e nas revistas cariocas Para todos e Ilustração brasileira.
Há quem sugira que "Drummond era poeta modernista mesmo antes da Semana de Arte Moderna" e, depois dela, o poeta apenas alargou e aprofundou algumas das características mais marcantes da primeira geração.

Drummond é um poeta considerado pela crítica por sua temática e sua facilidade de lidar com as palavras e expor seus pensamentos, suas críticas, seus amores, suas (des)ilusões. Trata-se, entretanto, de um poeta-criador. Um poeta que trabalha com as palavras e, criando-as ou recriando-as, enriquece seu texto com um estilo próprio e pessoal. Montando ou desarticulando palavras, incorporando o visual, fragmentando a sintaxe, Drummond é mestre.

O próprio poeta enxerga-se como um "lutador", aquele que sabe das dificuldades de se lutar com as palavras, mas não abandona nunca essa árdua tarefa;
Além disso, sabe de sua possibilidade de aprender palavras, ou criá-las e enriquecer as já existentes, dando-lhes expressividade.

A postura de antiastro, entretanto, foi uma característica bastante notável em sua vida. Por causa dela, recusou uma indicação para a candidatura a um posto de imortal na Academia Brasileira de Letras, o que não fez com que o poeta ficasse menos conhecido.

Uma das maiores mostras da popularidade de Carlos Drummond de Andrade foi a homenagem que a escola de samba carioca Estação Primeira de Mangueira prestou-lhe em 1987, com o samba enredo "O reino das palavras". A escola foi campeã do carnaval daquele ano e Drummond faleceu poucos meses depois, em 17 de agosto, no Rio de Janeiro.


Roteiro e Organização: Profa Dra Elis de Almeida Cardoso
Profa. Suzana Vaz Húngaro

Apoio: Coordenação do Curso de Letras/TI - UNIBERO

 

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