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A PALAVRA DO REITOR: 10/01/2008
O sentido deste artigo é o de mostrar que a família é eterna na sua essência; o que muda são suas formas sociológicas.
Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, o catedrático de sociologia da Universidade de Cambridge, Göran Therborn, afirmou que o modelo patriarcal de família está extinto e que o processo é irreversível. Fêz uma análise das diferentes situações de estruturas familiares no mundo e foi categórico em dizer que “jamais retornaremos à estrutura patriarcal”. Disse ainda que as pessoas estão hoje muito mais exigentes, em relação ao casamento, e que um dos fatores para isso foi que aumentou, nas últimas décadas, “o número maciço de mulheres com educação superior cobrando igualdade de direitos”. Ainda ressaltou que “houve uma mudança no comportamento sexual, mas a revolução é muito mais ampla e abrangente”. Destacou também que “muitas das batalhas cruciais a respeito das relações familiares estão vencidas”, e que hoje tem funcionado o seguinte esquema (isso em nível de classe média alta): “primeiro, você quer uma boa educação formal, e isso toma tempo. Depois, você quer estabelecer uma carreira. Em terceiro lugar, você quer comprar um apartamento”.
Em meio a todos esses apontamentos, voltamos a refletir o sentido da família, em nossos dias e a considerar alguns aspectos relevantes. Primeiro que é certo que houve mudanças sociais e econômicas profundas que interferiram nos modelos de estruturação familiar existente, que perduraram ao menos por mais de cinco milênios. Daí que é correto reconhecer que a “revolução é muito mais ampla e abrangente”. Não temos mesmo ambiente, meios, recursos e condições sociais para manter o padrão familiar antigo. Houve, na verdade, uma profunda mudança que alterou na base as condições para a manutenção da família, e quem sofre mais com isso evidentemente são os pobres. O próprio Therborn aponta a influência social e econômica nesse processo, “já que a ausência dos pais é mais evidente entre os mais pobres e menos educados. Esse é um padrão repetido em todo o mundo”. E salientou que “esse conjunto de fatores nem sempre gera violência mas leva a um comportamento errático. Uma hora o jovem é afetuoso, no momento seguinte, agressivo. Essa é a verdadeira crise familiar: relações interpessoais inseguras, num clima de privação econômica”.
Na realidade, a análise de Therborn evidencia o aspecto econômico da crise familiar, sob o ponto de vista de um modelo de família de classe média alta que espera triunfar, em que está assegurada a educação e o acesso aos bens de consumo. É certo que a pobreza acarreta muitas contingências, mas é onde ainda é possível presenciar relacionamentos baseados na solidariedade, na mútua-ajuda, na lealdade e em tantos outros valores que não vemos muito naqueles que colocam a ambição financeira e profissional acima dos desafios familiares.
Não é certo afirmar (e muito precipitado) que “muitas das batalhas cruciais a respeito das relações familiares já foram vencidas”. O fato é que vivemos mesmo a pior crise de toda a história da humanidade, e certamente as instituições humanas sofrem com esta crise, pois não conseguem cumprir com sua finalidade social. A família, a primeira das instituições, é talvez a que mais sofre em meio a tudo isso. De qualquer forma, sabemos, pela experiência da história, que a família resistirá e continuará a ser o futuro da humanidade. Houve mudanças positivas, avaliações de procedimentos, desafios de novas posturas, mas o eixo fundamental do sentido da família que é a solidariedade, permanece como valor vital.
VALMOR BOLAN - Doutor em Sociologia.
Reitor do UNIBERO e Diretor da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) da Anhanguera Educacional
reitor@unibero.edu.br
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A PALAVRA DO REITOR: 03/01/2008
Este artigo é uma revoada de bons olhares para o futuro em novo ano que começa.
“OLHAR PARA FRENTE, COM ÂNIMO NOVO”
Geralmente as retrospectivas do ano exibidas pela televisão e até mesmo pelos jornais mencionam os fatos mais negativos, dando a impressão de que o mundo anda mesmo de ponta cabeça e não tem jeito. Fica difícil alguém recobrar o ânimo depois de assistir esses noticiários. Sendo assim, precisamos estar blindados contra a má influência desse negativismo, para que possamos olhar para a frente sob o signo da esperança, pois temos muito o que fazer para , em cada dia do novo ano, continuarmos a nossa caminhada, no empenho em multiplicar os talentos a favor da vida. É evidente as nossas limitações, mas também sabemos das nossas potencialidades e o quanto o dia-a-dia é exigente, para que nos tornemos melhores como pessoas e fazermos o bem ao nosso próximo, especialmente fazer bem feito aquilo a que nos propomos.
Temos então que começar o novo ano primeiramente agradecidos pela graça da vida, pelo tempo que nos é concedido para que possamos trabalhar em vista do desenvolvimento das nossas possibilidades, tanto em casa, como no trabalho, tanto intelectualmente quanto afetivamente, em todos os aspectos.
O mundo de hoje pode estar bastante instável, mas quando é que esteve seguro? Em que momento histórico podemos dizer que todos viviam na paz permanente? A vida não nos é dada feita, mas é um quê fazer, já dizia o filósofo espanhol Ortega Y Gasset, ela tem exigências, requer de nós respostas aos desafios, como tão bem destacou o historiador inglês Arnold Toynbee. Nos realizamos melhor como pessoas, na medida em que aceitamos os desafios, confiantes de que Deus nos dá meios para atender ao que precisamos, se nos colocamos de boa vontade, se nos dedicamos, se nos empenhamos com honestidade em tudo o que fazemos, se buscamos cumprir o dever cotidiano, sem nos omitir diante daquelas situações que nos exigem posicionamentos éticos e comprometimento com os valores morais da responsabilidade e da solidariedade. E depois, nada conseguimos sozinhos.
O desafio maior está em partilharmos nossas expectativas e buscar a soma necessária para que sonhando e trabalhando juntos, possamos obter as parcerias adequadas que permitam viabilizar os nossos melhores empreendimentos pessoais, profissionais, sociais, culturais e, principalmente, espirituais.
Nesse sentido, desejamos a todos que comecem 2008 com ânimo realmente novo, efetivamente positivos, com o olhar para a frente, na certeza de que cada dia novas oportunidades se abrem em nossos horizontes, podendo propiciar a surpresa de novas alegrias. Temos que construir, passo a passo, com quem está a nossa volta, as possibilidades novas do tempo que se inicia. Agora, portanto, não é hora de desânimo, mas de entusiasmo, de renovada esperança, de convicção na vida como dádiva, presente que nos é oferecido, para que, multiplicando os talentos e trabalhando, possamos dar a nossa contribuição para que esse mundo seja realmente cada vez melhor. É dessa forma que devemos caminhar, sabendo que Deus supre as nossas faltas, nos dá o que precisamos para viver a vida como graça.
VALMOR BOLAN - Doutor em Sociologia.
Reitor do UNIBERO e Diretor da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) da Anhanguera Educacional
reitor@unibero.edu.br
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A PALAVRA DO REITOR: 26/12/2007
Este artigo trata do ano de 2007 que se foi e do ano de 2008 que virá.
Mais um ano termina, e um novo ano se inicia, a vida prossegue com seus desafios, expectativas, perspectivas e possibilidades. Sempre esperamos pelo melhor, desejamos acertar o passo da caminhada, aprendemos com o percurso, buscamos cada vez mais boas realizações. É assim que caminhamos, assim devemos prosseguir, sob o signo da esperança. Temos que olhar para frente e para o alto, pois assim conseguimos vislumbrar novas oportunidades, preservar o que de bom fizemos, o que ganhamos da vida e o que pudemos oferecer. Dessa forma, os anos vão se somando e nos enriquecendo com as experiências do dia-a-dia, especialmente em nosso relacionamento com o próximo.
É o momento de fazermos um balanço das nossas atividades, em que medida estamos progredindo, fazendo bom proveito das nossas capacidades, e o que precisamos rever ou considerar para permitir que alcancemos a paz interior necessária para que tenhamos êxito em nossa vida pessoal e profissional. Nesse sentido, vale a pena pararmos um pouco para pensar nos valores que têm motivado as nossas atitudes, isto é, que sentido estamos dando a nossa vida, para onde estamos rumando, aonde queremos chegar, quais os valores que sustentamos. Só assim conseguiremos começar bem o novo ano e encontrar força renovada para continuar na estrada da vida.
Anselm Grün, em sua obra: “Vida Pessoal e Profissional – Um Desafio Profissional (Ed. Vozes, 2007) afirma que “os valores conferem sentido à nossa vida. Precisamos de diretrizes que nos motivem, que nos façam sentir prazer em trabalhar. Eles nos permitem ver além de nossos problemas cotidianos, nos orientando e nos cumulando de energia”. E ainda citando São Bento, Grün salienta que, “segue um bom caminho aquele que executa bem seu serviço. A tarefa de gestão é um serviço aos e para os homens e, em última instância, para Deus. Sou sempre desafiado a deixar de lado as preocupações comigo mesmo e dedicar-me às pessoas com as quais trabalho”.
Esse ensinamento de Anselm Grün nos mostra o quanto é importante o sentido da máxima de que é melhor dar do que receber, ou ainda da sabedoria de São Francisco, de que é dando o melhor de nós naquilo que fazemos é que recebemos o melhor das pessoas para nós, num intercâmbio de autêntica solidariedade que nos faz com que sejamos verdadeiramente realizados como pessoas humanas e, portanto, felizes.
Daí a importância de procurarmos nesse novo ano, estarmos mais abertos ao outro, principalmente com que está a nossa volta, o nosso próximo mais próximo, oferecendo a ele a ajuda necessária para a sua realização como pessoa. É assim que vivenciamos a maturidade do relacionamento humano, que nos leva a aprimorarmos cada vez mais o nosso fazer, para expressar melhor o nosso ser, conseguindo assim o autêntico bem-estar que todos desejamos.
Sendo assim, esperamos que 2008 seja um ano promissor para todos, motivados ao bem, renovados pela esperança, tenham a graça das boas realizações. Com trabalho, criatividade e solidariedade é possível fazer dos desafios cotidianos, oportunidades enriquecedoras de vida, em todos os aspectos. Feliz Ano Novo para todos.
VALMOR BOLAN - Doutor em Sociologia.
Reitor do UNIBERO e Diretor da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) da Anhanguera Educacional
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A PALAVRA DO REITOR: 19/12/2007
O Natal como um momento solidário é o tema de nossas reflexões deste artigo.
NATAL: ESPERANÇA E CONFRATERNIZAÇÃO
Que viva a tradição natalina, de montar presépios e colocar os cartões e os presentes nas árvores de Natal, como também as crianças se alegrarem com o Papai Noel, que sempre tem alguma lembrancinha para elas.
O Natal é sem dúvida a festa da confraternização, da reconciliação, da afirmação de novas perspectivas, sob o signo da esperança. Momento de encontros e reencontros, de desejos de paz e justiça, de recordações e motivações para aquele olhar para a frente que nos leve a recuperar as forças e caminhar na estrada da vida, buscando dar o melhor que temos.
Por isso, vale a pena iluminar as nossas casas, pensar em oferecer alguma lembrança para aqueles a quem amamos, porque nesses gestos concretos expressamos a nossa afeição e solidariedade, fazendo do Natal momentos que ficam marcados para sempre em nossa memória, pelo bem que fazemos, ao afirmar a alegria e a esperança em nossa vida.
Toda a tradição natalina, inclusive a da ceia, com o panetone e tudo mais que cada um pode preparar, deve ser incentivada, pois cria um clima de paz e harmonia que muito nos ajuda a encontrar a necessária humanidade, muitas vezes esquecida no corre-corre do dia-a-dia. Temos que dar atenção às pessoas que estão próximas de nós, que convivem conosco, porque elas fazem parte da nossa história de vida e nos ajudam a nos constituirmos como pessoas humanas e certamente a sermos felizes, bem como a de permitir possibilidades sempre renovadas para que sejam também felizes, especialmente na superação dos conflitos, inevitáveis no relacionamento humano.
O Natal é a festa do nascimento do nosso Salvador, cujo acontecimento supremo dividiu a história em antes e depois de Jesus Cristo. É, portanto, a celebração do mais importante aniversário, de quem é o Senhor da vida, que veio até nós para trazer vida plena para todos. Nesse sentido, temos que voltar o nosso olhar para Jesus, que é o aniversariante do Natal, e em quem devemos em seu exemplo de vida, encontrar o modelo para servir de referência em tudo o que fazemos. Jesus Cristo é o modelo perfeito de todos os tempos, e nele temos que nos inspirar e nos fortalecer, para que alcancemos a verdadeira felicidade.
Que este Natal seja então este momento privilegiado, pleno de graças, para que tenhamos paz no coração, para assim dar á nossa vida o sentido de amor, expressão da bondade de Deus, que a cada ano, nos presenteia com o Natal, esta festa especialíssima que tanta alegria nos traz e que pede de nós apenas a leveza do espírito, para transcender as limitações e fazer prevalecer o essencial. Temos a certeza de que Deus nos ama e quer o nosso bem, por isso, olhamos para a frente, confiantes e cheio de esperança, desejando a todos um Feliz Natal.
VALMOR BOLAN - Doutor em Sociologia.
Reitor do UNIBERO e Diretor da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) da Anhanguera Educacional
reitor@unibero.edu.br
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A PALAVRA DO REITOR: 04/12/2007
Este artigo constitui uma reflexão jubilosa pelo NÃO dado pelos venezuelanos a Hugo Chávez.
Prof. Dr. Valmor Bolan
A VITÓRIA DA DEMOCRACIA NA VENEZUELA
A derrota de Hugo Chávez no plebiscito sobre a reforma constitucional na Venezuela foi um alívio para todos os que realmente apostam na democracia como o melhor sistema do poder político. Mesmo com as suas imperfeições, a democracia foi um grande ganho histórico da humanidade, e regredir no processo para formas autoritárias de poder é inadmissível, sob todos os aspectos. O que, na realidade, vimos acontecer na Venezuela, nesses últimos anos, é a retórica de um bufão, que em nome da democracia vem agindo como um caudilho. A roupagem pode ser diferente, mas os procedimentos acabam sendo os mesmos dos ditadores de outrora, de triste memória no continente latino-americano.
A reforma proposta por Chávez comprometia vários pontos importantes do Estado de Direito democrático, sob o pretexto demagógico de se construir o socialismo do século 21 na Venezuela. Dentre os pontos mais polêmicos, destacam-se o que permitia a reeleição sucessiva por tempo indefinido dos Presidentes da República, beneficiando de imediato o próprio Chávez, que parece desejar se perpetuar no poder. Também propunha restrições ao direito de propriedade, como ainda o fim da liberdade de expressão em situações do estado de exceção. Coisas assim e muitas outras medidas absurdas foram colocadas para que o povo venezuelano votasse, se posicionando pelo sim ou pelo não. Graças, porém á uma grande mobilização da sociedade civil organizada, numa demonstração heróica de articulação e civismo, foi possível derrotar as pretensões absolutistas de Chávez, ao menos contê-lo por um tempo, dando condições de a oposição poder se fortalecer e buscar meios dentro da legalidade para evitar os abusos de Chávez no poder.
O “não” dado a Hugo Chávez foi uma vitória do povo venezuelano, que continuará vigilante e atuante para viabilizar uma alternativa mais consistente de governo democrático, comprometido com a promoção da pessoa humana, para permitir que a Venezuela deixe de lado o exotismo político de demagogos, para vivenciar uma experiência de governo mais de acordo com a realidade, e mais disposta a oferecer condições apropriadas para que realmente os direitos sociais sejam garantidos, com respeito à liberdade humana. Fora disso, são o rompante, o messianismo e o folclorismo de um estilo de governar já ultrapassado e condenado pela história, e que certamente o povo da Venezuela já percebeu o equívoco e quer mudar, o quanto antes, dentro da legalidade, defendendo os valores humanos adquiridos com a história.
O “não” dado a Chávez irá também minimizar o ímpeto de outros governantes latino-americanos a buscarem se perpetuar no poder, a exemplo, do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, cujos asseclas vêm acenando com a possibilidade também de alterar a Constituição, assegurando-lhe o direito de novamente se reeleger.
Outra questão relevante foi que o resultado das urnas conterá também o sonho anacrônico e altamente demagógico de uma “grande pátria bolivariana”, que mais lembra os equívocos do passado, que engendraram os grandes conflitos mundiais, como o sonho da Grande Sérvia, que culminou com a eclosão da 1ª Grande Guerra, e o da Grande Alemanha, que deu nos horrores do nazismo. O povo venezuelano, mais pé no chão, preferiu dizer “não” às sandices de Hugo Chávez, dando assim um fôlego e condições para a oposição melhor se organizar e combater pela via democrática, as pretensões totalitárias do Presidente da Venezuela.
VALMOR BOLAN - Doutor em Sociologia
Reitor do UNIBERO e Diretor da Região Metropolitana
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A PALAVRA DO REITOR: 27/11/2007
Este artigo aborda a conturbada questão da pesquisa em células-tronco embrionárias humanas.
Prof. Dr. Valmor Bolan
PARA ALÉM DO CIENTIFICISMO: a Ciência a serviço da vida
O cientista escocês Ian Wilmut, famoso por ter criado a ovelha Dolly (em 1996), a partir da técnica da clonagem, anunciou que desistirá de empreender pesquisas com células-tronco embrionárias para fins terapêuticos. Foi uma decisão importante, levando-se em conta o grande debate bioético da atualidade sobre o uso ou não das referidas células-tronco. O dilema ético mais relevante diz respeito ao uso de embriões fecundados. Como salientou o Dr. Herbert Praxedes, “o embrião humano é um ser humano completo e não um projeto de ser ou ainda um amontoado de células indiferenciadas. Ele tem, por isso, toda a grandeza e direitos inerentes à espécie humana. Não pode ser degradado a um animal de laboratório”. Mas Ian Wilmut declarou ao jornal britânico “Daily Telegraph" que desistiu de buscar uma licença para poder tentar viabilizar a produção de embriões clonados com o objetivo de extrair células-tronco para tratar doenças, por razões científicas, isso porque já é possível a mesma técnica a partir de células da pele.
Dias depois da decisão de Ian Wilmut, o presidente George Bush considerou positivo o sucesso da reprogramação de células da pele humana para atuarem como células-tronco embrionárias. Bush chegou a proibir o uso de verbas públicas federais para fins de pesquisa com células-tronco que utilize embriões humanos. Com isso, os republicanos ficam fortalecidos, pois há agora evidência científica de que há outros métodos possíveis na busca da cura de doenças, além do uso das células-tronco embrionárias. Também o Vaticano celebrou a notícia, por intermédio do Presidente da Pontifícia Academia para a Vida, monsenhor Elio Sgreccia, lembrando que a Igreja “sempre sustentou a ilegitimidade da clonagem humana e combateu a destruição de embriões”.
A ciência pode estar a serviço da vida, quando age de acordo com princípios éticos que respeita a vida humana, em todas as suas fases e manifestações, evitando a manipulação genética para o exercício do poder e a desumanização. O limite ético desejado é justamente no sentido de que nem tudo o que é legal é moral, pois as possibilidades científicas e tecnológicas, por atingirem graus de potência, trazem riscos de abuso do poder e até de destruição da própria vida. Nesse sentido é que se faz necessário agir com critério ético, para que prevaleça a aplicação do conhecimento científico e tecnológico em respeito aos direitos humanos fundamentais, especialmente ao direito à vida, o primeiro de todos os direitos.
Muitos pesquisadores salientam que não está havendo a devido cuidado ético quanto ao uso de células-tronco embrionárias humanas em pesquisa, tendo em vista que existem alternativas, como por exemplo, o uso de células-tronco adultas. Como explica a Dra. Alice Teixeira Ferreira, Professora Associada de Biofísica da UNIFESP/EPM na área de Biologia Celular – Sinalização Celular, “vem se multiplicando em todo mundo, inclusive no Brasil, o tratamento bem sucedido de doenças degenerativas com células-tronco adultas, que são encontradas em todos os órgãos e em maior quantidade na medula óssea (tutano de osso) e no cordão-umbilical-placenta”.
Como vemos, as alternativas existentes permitem que a ciência obtenha os resultados desejados, respeitando a vida e o valor da pessoa humana, em todos os aspectos.
VALMOR BOLAN - Doutor em Sociologia
Reitor do UNIBERO e Diretor da Região Metropolitana
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A PALAVRA DO REITOR: 21/11/2007
Este artigo é para reafirmar a tese de que a legalização do aborto não atende à absoluta maioria da opinião pública brasileira e, sobretudo, ao respeito primária à vida humana.
Prof. Dr. Valmor Bolan
CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE REJEITA A LEGALIZAÇÃO DO ABORTO
O posicionamento da 13ª Conferência Nacional de Saúde do Brasil confirmou o que as pesquisas vinham apontando nos últimos meses: a população brasileira é contra a legalização do aborto, rejeição essa que vem aumentando cada vez mais, especialmente após o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, ter aberto o debate em nível nacional dessa questão. A Igreja trabalhou firme para que suas bases ampliassem um trabalho de conscientização, cujo resultado começa a surtir efeito, com a crescente desaprovação pela despenalização do aborto no País.
Segundo ressaltou o MDV, Movimento em Defesa da Vida, “no ano de 2000 a legalização do aborto havia sido recomendada pela 11ª Conferência Nacional de Saúde no Brasil. Mas no domingo último, 18 de novembro, os participantes da nova edição da 13ª Conferência Nacional de Saúde rejeitaram a legalização do aborto por uma esmagadora maioria até pouco tempo nunca vista em eventos deste tipo. Em um total de 1627 votos, praticamente todos votaram a favor da vida e os menos de 100 que se posicionaram a favor do aborto foram vaiados pela multidão presente”.
Este ano, muitos grupos em defesa da vida estiveram em Brasília fazendo lobby junto aos deputados federais, entre eles, o Movimento Legislação e Vida, juntamente com a Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, a federação Paulista dos Movimentos em Defesa da Vida, a Associação Nacional Mulheres pela Vida, bem como com Comissões Diocesanas em Defesa da Vida, em que visitaram, um a um, os deputados federais que compõem a Comissão de Seguridade Social e Família, presidida pelo deputado Jorge Tadeu Mudallen. A pressão dos grupos pró-aborto também foi muito forte, mas a CSSF resolveu antes de colocar em votação o polêmico PL 1135/91, realizar várias audiências públicas com autoridades e especialistas, que tiveram a oportunidade de debater o tema do aborto, em três audiências públicas em Brasília. O próprio presidente da Comissão, assumiu a relatoria do projeto de lei, dizendo que os dados recebidos pelo Ministério da Saúde sobre o assunto eram divergentes e não muito precisos. Nesse sentido, a posição de Igrejas Cristãs e, de modo particular, da Igreja Católica pesou muito no debate, principalmente pelo argumento antropológico, que coloca a primazia da pessoa humana sobre quaisquer outros interesses (econômicos ou políticos) envolvendo essa questão.
De qualquer forma, sentimos que esta batalha (que ainda não está definitivamente ganha) teve mais uma vitória, sendo um ganho de humanidade e de civilização, pois o direito à vida (que será tema da próxima Campanha da Fraternidade) é o maior de todos os direitos, pois sem a vida não há como assegurar a liberdade, a educação, a saúde e os demais direitos humanos.
Esperamos então que os nossos parlamentares estejam mais em consonância com a vontade geral, reafirmando firmemente o direito à vida, expresso pelo que a maioria do povo brasileiro vem mostrando nas pesquisas: ser contra o aborto e a favor da vida.
VALMOR BOLAN - Doutor em Sociologia
Reitor do UNIBERO e Diretor da Região Metropolitana
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A PALAVRA DO REITOR: 14/11/2007
MELHORAR O ENSINO É SOBRETUDO INVESTIR EM PROFESSORES
As avaliações efetuadas pelo Governo Federal especialmente no nível do ensino médio vem mostrando queda na qualidade de ensino da rede pública, demonstrando com isso a urgente necessidade de medidas que viabilizem as melhorias necessárias. Constatamos que os investimentos a serem feitos não devem ser apenas os de infra-estrutura, apesar de existir ainda escolas com condições precaríssimas de ensino, como veiculadas no programa Fantástico do último domingo, em que professoras dão aulas ao ar livre, debaixo de mangueiras, ou ainda em cabanas de sapé. Como vemos, o desafio para garantir qualidade de ensino para todos é enorme, especialmente para os que mais precisam da atenção do poder público.
O fato é que as avaliações estão mostrando o muito que é preciso ser feito, principalmente no investimento da formação dos nossos professores. Talvez seja essa a grande demanda que deve ser assumida, com seriedade, pelo Governo Federal, pois sabemos que a definição das prioridades dependem exclusivamente da vontade política de quem são os responsáveis em destinar os recursos e estimular oportunidades de melhorias.
Temos que enfrentar agora os desafios, se quisermos assegurar uma melhor consistência do ensino para a atual e próxima geração. Todos sabem as conseqüências da omissão nesse campo. Ainda prevalece uma espécie de cinismo que deve ser combatido energicamente. Não podemos aceitar a cultura do professor que finge que ensina e o aluno que finge aprender. Como bem explicou um dos especialistas entrevistados no Fantástico, o grande problema é que esses alunos que tiram o diploma sem saber as noções básicas daquilo que precisa saber, acaba indo para o mercado de trabalho, exercer a profissão como um analfabeto funcional. A cultura do fingimento acaba ocasionando a incompetência profissional, de muitos daqueles que julgam possuir graduação, sem de fato ter a qualificação e os conhecimentos requeridos para um honesto e profícuo exercício do trabalho que se propõem a fazer, comprometendo assim a credibilidade não apenas do profissional, como da instituição de ensino que emitiu o seu diploma.
Nesse sentido, faz-se necessário que haja maior rigor de avaliação, principalmente no período do ensino médio. Não dá para sermos condescendentes nessa questão. O aluno que não sabe, não deve passar de ano e ponto final. Não é possível fazer vista grossa disso e deixar prevalecer a pior espécie de demagogia, totalmente danosa para a formação do estudante, e também para a sociedade em que ele estará posteriormente agindo.
É preciso então que haja critérios claros, posicionamentos firmes, que levem em conta as possibilidades promissoras do processo de ensino, mas que esses critérios funcionem, e que viabilizem o imprescindível fortalecimento das nossas instituições educacionais; que permitam acontecer realmente a aprendizagem não apenas das capacidades técnicas necessárias, mas também dos valores éticos e morais; que preparem os nossos estudantes para lidar com os desafios da vida, com criatividade e senso crítico, para que a inteligência esteja verdadeiramente a serviço da promoção da pessoa humana, em todos os aspectos.
VALMOR BOLAN - Doutor em Sociologia
Reitor do UNIBERO e Diretor da Região Metropolitana
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A PALAVRA DO REITOR: 07/11/2007
Este artigo constitui uma reflexão em torno da comemoração dos feriados, a exemplo do da
Proclamação da República a ser vivenciado na próxima semana.
REDESCOBRIR O SENTIDO DA VIDA
Na semana que vem, os brasileiros irão ter mais um feriado sem saber muito o porquê. É impressionante como, aos poucos, vamos perdendo a noção dos motivos que justificam os feriados. Para muitos, tanto faz se as motivações sejam de origem religiosa ou cívica. O que percebemos é que as pessoa que trabalham cumprem expedientes, acham ótimo ter que parar, apenas para evadir-se das obrigações, e só. Quem pode passear, ir à praia, enfim, se divertir, faz com muito gosto. Mas muito boa parte da população passa mesmo o feriado em casa, vendo televisão. É a dura realidade. As comemorações acabam ficando restritas aos órgãos oficiais. Em meio a isso, sentimos uma espécie de indiferentismo, expresso na reação de muitos que nem sabem a razão pela qual há mais um feriado.
Se falamos que é por causa da Proclamação da República, soa tão distante, que muitos não conseguem explicar o que comemorar com mais esse feriado. Aliás, no caso da proclamação da República, na própria época em que o fato ocorreu, os historiadores narram que o povo “assistiu bestializado”, isto é, sem tomar muita participação nas movimentações políticas que culminaram com a queda da Monarquia do Brasil e a expulsão da família real brasileira para a França. Para o desinformado, quando indagado, responde assim: “Mudou o quê? De lá para cá, que diferença há se tenho que trabalhar duro para pagar as contas”.
Essa constatação nos leva a refletir que o sentido dos feriados está sendo descaracterizado. Até mesmo o do descanso semanal. O domingo, por exemplo, tornou-se o dia do ócio, por excelência. Antes, era dia da família se reunir em casa, fazer uma visita a alguém muito estimado, dedicar-se à alguma ação desinteressada pelo bem da comunidade ou da Igreja. Hoje, o que vamos vendo é que o sábado e domingo, para muitos, acabam sendo o dia do sofá diante da tevê, do não fazer nada, do deixar-se recolher em casa, na experiência dum privatismo que manifesta uma enorme indiferença pelo outro, a começar pela própria família. Esse sintoma revela o grau de desumanização a que vamos chegando, sem que se dê conta do prejuízo que isso representa em termos de ganho pessoal, de relacionamento, de riqueza afetiva, etc.
O grande desafio é combater esse indiferentismo e fazer do feriado um dia a ser preenchido com algo mais edificante em nossas vidas. Precisamos disso para afirmarmos a nossa humanidade, principal riqueza que temos. Algo precisa ser feito, para que o dia do descanso não seja um dia banal, de evasão (muitas vezes nos jogos vídeo-games, nos programas de televisão ou pior ainda, na bebida e outros escapismos). Sabemos também da grande solidão de milhares de pessoas abandonadas em apartamentos nas megalópoles, sem ter alguém para conversar ou partilhar as experiências da vida, muitos deles idosos, desamparados pelos próprios filhos e parentes.
Nesse sentido, fazemos um apelo para que seja redescoberto o sentido da vida humana, que requer acolhida, liberdade para a criatividade, a responsabilidade e especialmente a solidariedade. Vamos fazer dos nossos feriados momentos mais especiais, para nos tornarmos melhores como pessoas, na doação com o outro, na busca de valores que afirmam a nossa vocação para viver a vida com alegria. É assim que viveremos bem melhor cada instante da nossa vida.
VALMOR BOLAN - Doutor em Sociologia
Reitor do UNIBERO e Diretor da Região Metropolitana
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A PALAVRA DO REITOR: 30/10/2007
ALTERNATIVA PARA GLOBALIZAÇÃO
Constantemente vimos protestos de organizações contra a chamada globalização. Com a queda do muro de Berlim e a emergência do neoliberalismo em quase todos os países do mundo, os órfãos do comunista e também os ecologistas, buscam uma terceira via para fazer contraponto ao capitalismo globalizado.
O fato é que – como explica o Pe. Fernando Bastos de Ávila, em sua obra “Solidarismo – alternativa para a globalização”, o capitalismo é um sistema que dá a hegemonia do processo histórico ao capital. Nele é o capital, e mais precisamente o poder econômico, que decide nas opções políticas, nas decisões econômicas e nas tensões sociais”.
Este aspecto da preponderância do fator econômico sobre as demais instâncias e dimensões da vida humana é que torna o capitalismo deficiente como sistema social, apesar de não termos encontrado ainda outro sistema que possa moldar possibilidades realmente promotoras do potencial humano como um todo. Mas além disso, há um aspecto importante no sistema capitalista que é a primazia da liberdade, que permitiu chegarmos ao sistema político democrático, que segundo Churchill – ainda não temos também outro sistema mais perfeito, apesar das grandes imperfeições do sistema capitalista. A falha do socialismo, por sua vez, foi fazer do Estado o grande Leviatã que se apossa dos meios de produção, restringindo e até erradicando a limites insuportáveis e inaceitáveis a manifestação da liberdade humana. O muro de Berlim caiu por conta disso.
O grande desafio é conciliar justiça com liberdade, isto é encontrar um sistema social que evite que em nome da justiça se sacrifique a liberdade, ou ainda que em nome da liberdade se sacrifique a justiça social. Estamos com quase tudo por fazer nesse campo. Ninguém pode dizer eureka, mas é certo de que o capitalismo e ainda mais o fenômeno da globalização precisa ser aprimorado, para que a pessoa humana seja respeitada de maneira integral.
Nesse sentido, prevalece o ideal do bem comum a ser alcançado. Para o Pe. Fernando Bastos de Ávila, como bem elucida, definindo o bem comum como “o conjunto de circunstâncias concretas que permitam a todos os membros da comunidade atingir um nível à altura da dignidade humana. Este conjunto é um bem e o desejo de realizá-lo é a força de coesão dos membros da comunidade conscientes de que isoladamente jamais poderiam atingi-lo. É comum, no sentido que dele tem o direito de participar todos os que lealmente colaboram na sua realização”.
Esse é o desafio para a alternativa da globalização
VALMOR BOLAN - Doutor em Sociologia
Reitor do UNIBERO e Diretor da Região Metropolitana
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A PALAVRA DO REITOR: 23/10/2007
Este artigo é uma reflexão em torno da importância da preservação de nossa memória cultural,
de modo particular da obra de Jorge Amado.
A imprensa noticia recentemente que o acervo das obras do grande escritor brasileiro Jorge Amado, reunidas na Fundação que leva o seu nome, em Salvador, na Bahia, está comprometido, por falta de recursos. Medidas de contenção de despesas vem sendo tomadas, como redução do número de funcionários ao mínimo. A dúvida agora é quanto á preservação de todo o acervo do escritor que teve maior projeção internacional em toda a história da literatura brasileira. Como é possível que isso aconteça, quando temos atualmente um ministro da Cultura que é da Bahia e sabe o valor que representa a obra de Jorge Amado para a cultura brasileira? Não vem ao caso questões ideológicas, mas o significado histórico e cultural de uma obra literária que marcou época e que não pode ser desprezada pelo poder público, ainda mais de alguém que simboliza o povo baiano, a exemplo do poeta Castro Alves e tantos outros.
Quando viajamos para a França, por exemplo, vemos o quanto é valorizada obra de seus autores, que possuem casas que funcionam como museus, verdadeiros atrativos turísticos que geram renda capaz de manter a obra preservada. É o caso de Honoré de Balzac ou Victor Hugo, ou mesmo na Alemanha a casa de Goethe, etc., que são o orgulho daqueles povos, que sabem o quanto é importante a preservação da memória nacional. É isso também que acontece com as esculturas de Aleijadinho ou mesmo com os casarões da nobreza portuguesa quando veio ao Brasil em 1808, e que estão quase todos deteriorados. No próximo ano estaremos comemorando o bi-centenário da chegada da família real no Brasil e há praticamente dois imóveis preservados. Esse descaso governamental é uma tragédia cultural que poucos se mobilizam para evitar. Nesse sentido, urge que façamos alguma coisa, porque sem memória não há como manter a nossa própria identidade enquanto povo.
Os valores do pós-moderno ajudam a criar um clima mais favorável à situação, pois vivemos hoje a cultura do imediatismo e do descartável. Se as pessoas humanas estão valendo cada vez menos, imaginem as obras de arte produzidas pelos gênios da história. Exatamente o que sabem fazer os povos europeus, por isso ainda sobrevivem, porque sabem lucrar com o patrimônio histórico e cultural que possuem, valorizando-os, orgulhando-se deles e movimentando assim milhões de turistas de todo o mundo, que vão até a Europa fazer compras, passear e também ver os museus e as obras de arte.
No Brasil, as leis de incentivo cultural conseguem alguma coisa, mas muito pouco diante das demandas existentes. Aliás, não apenas a preservação da memória, mas a própria produção artística e literária em nosso País continua sendo uma tarefa para heróis, pois quase não há incentivos públicos. Grandes talentos naufragam por falta de apoio institucional, apoio financeiro mesmo, isso não apenas na produção da arte, como também na pesquisa científica. Estamos ainda muito longe das nossas reais potencialidades.
Precisamos ter respeito com a nossa história, zelando pela memória daqueles que contribuíram para o nosso desenvolvimento cultural. É dessa forma que estaremos fazendo do nosso País a grande nação que todos desejamos.
VALMOR BOLAN - Doutor em Sociologia
Reitor do UNIBERO/ANHANGUERA EDUCACIONAL
reitor@unibero.edu.br

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A PALAVRA DO REITOR: 10/10/2007
Pesquisa da Folha de São Paulo sobre o perfil da família brasileira apresentou as mudanças ocorridas na última década, especialmente de comportamento e do campo moral, e nos códigos sociais relacionados à sexualidade. Foram visitados 211 municípios brasileiros e entrevistados 2.093 pessoas, com 16 anos ou mais. Pelo Datafolha, a família aparece como a instituição mais valorizada do País. Ela é a primeira de todas as instituições, que ainda resiste contra o furor da modernidade, apesar dos especialistas dizerem que a modernidade tem vencido em se tratando de promover as alterações radicais (e muitas vezes anti-naturais) da estrutura familiar.
O aspecto mais relevante da pesquisa é o que indica a maior tolerância sexual, flexibilizando conceitos e controles, e a crescente rejeição ao aborto. Aumenta também a importância das religiões, mas os pais já aceitam com mais facilidade a gravidez da filha solteira, como também o homossexualismo.
Segundo explica Vinicius Mota, ao comentar a pesquisa, “a família acima de tudo; a religião em alta, mas não o casamento; o dinheiro em último plano. As principais mudanças no peso atribuído a valores tradicionais pelos brasileiros sugerem um reforço do lado afetivo, em detrimento do material”. E acrescenta que “para o psicanalista Renato Mezan, o ganho de importância da família e da religião reflete o desejo de maior segurança, diante das incertezas da vida pública, quer dizer, o núcleo familiar e a relação com o sagrado funcionariam como meios de o indivíduo proteger-se diante da sensação de que a convivência fora dos domínios do lar e do templo é marcada pela violência, pela insegurança e pela corrupção”.
Em relação à desvalorização simbólica do dinheiro, Renato Mazan explica que, na realidade, existe uma espécie de hipocrisia, pois não acredita que numa sociedade em que a luta pela sobrevivência econômica é tão grande, o dinheiro não pode estar em tão baixa estima. De qualquer forma, o que se percebe é que as pessoas querem viver mais o afeto e menos as imposições dolorosas para a difícil sobrevivência na sociedade em que tudo virou mercadoria, tudo tem preço, e não há mais quase espaço para a gratuidade. O afeto, de algum modo, é a última esperança de exercer o gratuito na sociedade que idolatra o capital, em que o vale tudo pelo dinheiro desespera as pessoas que não aceitam perder o que tem de mais importante, por causa das demandas financeiras: a própria humanidade. Daí porque a família resiste, se impõe sobre tudo o que quer fazer soçobrá-la.
Para o professor de ciência da religião da PUC-SP, Luiz Felipe Conde, “a valorização da família é algo natural, pois trata-se de uma organização pré-social, pelo fato de o ser humano ser uma espécie biologicamente muito dependente quando nasce”. E salienta que “a ascensão da religião na escala de valores pode ser uma resposta a um sentimento visceral do ser humano de que falta um sentido de vida”.
A família está viva, mesmo ameaçada por tantos fatores desestabilizadores, ela resiste, sobrevive, afirma sua missão de salvaguardar a pessoa humana, de ser instância de proteção e acolhimento humano. É a primeira e a mais perene de todas as instituições, é o que confirma a nova pesquisa da Folha de São Paulo.
VALMOR BOLAN - Doutor em Sociologia
Reitor do UNIBERO/ANHANGUERA EDUCACIONAL
reitor@unibero.edu.br

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A PALAVRA DO REITOR: 03/10/2007
Este artigo visa chamar a atenção daqueles que buscam novas posturas na Igreja Católica em matérias altamente polêmicas: que lutem sem perder de vista a busca de um máximo de consenso.
CELIBATO, SACERDÓCIO FEMININO E COMUNHÃO ECLESIAL
110 leigos católicos da pequena cidade catarinense de Luzerna (com pouco mais de cinco mil habitantes) repetiram um ato que lembra muito a publicação das 95 teses de Lutero na porta da Universidade de Wittenberg, no século XVI, abalando a estrutura da Igreja, chegando ao ponto do cisma mais doloroso na história do catolicismo. Isso porque os leigos de Luzerna resolveram expressar suas críticas contra regras históricas da Igreja, pela mesma metodologia adotada pelos primeiros protestantes: da insubordinação e do escândalo.
Primeiramente, reuniram-se durante dois meses numa paróquia de Luzerna, com apoio do pároco local, mas na clandestinidade, isto é, sem o conhecimento do Bispo. Começa por aí a atitude de rebeldia do movimento. Em vez de buscar o diálogo construtivo, junto às autoridades eclesiásticas, para buscar uma reflexão amadurecida, até chegar ao Papa; o grupo de Luzerna resolveu ir pelo caminho mais fácil, o da insurgência, que leva ao escândalo, dois métodos reprováveis por todos aqueles que conhecem o modo de agir da Igreja, sinal do Reino de Deus entre nós. Há uma passagem do Novo Testamento que faz uma clara recomendação ao cristão, solicitando “evitar o escândalo”. Mas foi esse o caminho escolhido pelos insurgentes de Luzerna.
Afinal, o que querem os revoltosos? Pleiteiam basicamente três mudanças: 1) o fim do celibato clerical, 2) a aprovação do sacerdócio feminino e 3) a autorização para os casados em segunda união de poderem comungar.
Questões complexas como essas já são objeto de análise e reflexão dos Bispos e cardeais há muito tempo. A própria Igreja reconhece que tais medidas não são dogmas, mas normas disciplinares. Recentemente o próprio Cardeal Dom Cláudio Hummes, em declaração à Imprensa, chegou a dizer que é possível a Igreja rever essas normas disciplinares, mas não da forma como propõe o grupo de Luzerna.
O celibato foi imposto aos sacerdotes católicos no século XI, por vários fatores, não apenas econômico, mas também por razões profundamente espirituais. A sabedoria da Igreja, “perita em humanidade”, como no dizer do Papa Paulo VI, tem mantido essa norma disciplinar, por considerar que seja mais acertado, justamente em razão da própria experiência histórica de quase mil anos em que os padres podiam se casar. Esse tema, como os demais, se um dia chegar a algum impasse grave, certamente será resolvido num Concílio, pois o próprio Papa sabe que não se pode “engessar o espírito Santo”. Mas isso não quer dizer, de maneira alguma, que a Igreja deva aceitar facilmente os apelos do mundo, isto é, moldar-se ao que o mundo quer que ela seja, sendo que ela tem como referência, Jesus Cristo, sua cabeça e centro. Tanto o celibato, quanto o sacerdócio feminino e a autorização da comunhão aos casados de segunda união, não são decisões que a Igreja tomará sob o impacto dos imediatismos, muito menos coagida por um grupo de católicos dissidentes, que luteranizados, abrem mão da intermediação do Bispo, para, eles mesmos, irem direto ao Papa resolverem questões que só podem ser decididas via Concílio.
Esperamos do Papa Bento XVI que promova o diálogo primeiramente com o Bispo da Diocese a que pertence a paróquia de Luzerna, e busque com que o Bispo local seja ponte para o entendimento, que se chegue ao entendimento com o empenho ao diálogo necessário, pois só assim todos saíram ganhando. Oramos e pedimos a Deus que o Espírito Santo, pelo dom do discernimento, permita que o caminho da concórdia seja possível ser trilhado por todos, para o bem de todos os que amam a verdadeira paz. E fiquemos abertos para eventuais mudanças sôbre aquelas questões a partir de uma ampla discussão conciliar. Não estaria na hora do Vaticano III?
VALMOR BOLAN - Doutor em Sociologia
Reitor do UNIBERO/ANHANGUERA EDUCACIONAL
reitor@unibero.edu.br

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A PALAVRA DO REITOR: 27/09/2007
Este artigo é um apelo à reação moral da sociedade brasileira.
O Brasil clama por ética. A sociedade se mobiliza inquieta, os grupos organizados, a Igreja, as OnGs, todos anseiam por ética na vida pública, por respeito às instituições. É evidente uma insatisfação que começa a se manifestar, pois as pessoas de bem não podem aceitar que a corrupção e a impunidade minem a prática política, desvirtuando-a de sua verdadeira finalidade, que é a promoção do bem comum. Afinal, o que acontece? Por que temos visto pouca ação eficaz no combate a esses males? O que fazer para viabilizar o vigor ético em nossos procedimentos, a começar em casa, depois na escola, no trabalho e principalmente nas instituições públicas?
O fato é que a própria democracia fica debilitada diante dessa situação, em que parece prevalecer uma espécie de impotência, especialmente por parte daqueles que estão incumbidos dos deveres públicos e devem dar o exemplo. O que esperar de um país refém de bandidos, que comandam de dentro dos presídios, através de conversas por celulares, falcatruas e propinas inclusive com conivência de policiais, como foi mostrada em reportagem exibida no Fantástico deste domingo, dia 23/09/07.
Vamos percebendo a debilidade da tessitura social, o esfacelamento e a desestruturação familiar, expressa, por exemplo, no número cada vez mais crescente de adolescentes com gravidez precoce, como, por exemplo, noticiou-se dias atrás, a gravidez de uma menina com apenas 11 anos de idade. Até quando continuaremos passivos diante dessas situações?
O que temos que fazer primeiramente é ampliar, por todos os meios possíveis, uma conscientização de que não podemos largar mão simplesmente e deixar as coisas como estão, sem que façamos a nossa parte, pois a corrupção e a impunidade são inaceitáveis para quem almeja uma sociedade democrática e próspera, pautada nos valores que dignificam a pessoa humana. Nesse sentido, cabe suscitar um movimento cívico pela ética na vida pública, que ganhe força na sociedade civil, mobilizando escolas, empresas, OnGs, poder público e demais instituições sociais. Temos que afirmar o nosso anseio para construir a sociedade justa e solidária que queremos, sem ser conivente com os desmandos que tomam conta em diversos segmentos da sociedade brasileira, na atualidade.
Temos que também ter discernimento, pois se infelizmente há políticos que nos envergonham, temos também políticos que dão o bom testemunho e que primam pela ética, buscando realmente tomar iniciativas que favoreçam a população, especialmente a mais carente. Sendo assim, temos que contatar esses políticos, sensibilizá-los e sugerir para que eles possam atuar mais efetivamente no processo legislativo, estando vigilantes e fazendo valer a lei, para que seja vencida a corrupção por mecanismos legais, fortalecendo assim as instituições. Acreditamos que isso possa acontecer, porque sabemos que estamos, dia-a-dia, ajudando a construir um mundo melhor, principalmente do ponto de vista ético e moral. Só com vigor moral é que teremos a justiça social que tanto desejamos ver realizada em nosso País.
VALMOR BOLAN - Doutor em Sociologia
Reitor do UNIBERO/ANHANGUERA EDUCACIONAL
reitor@unibero.edu.br

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A PALAVRA DO REITOR: 11/09/2007
Este artigo quer ressaltar a importância do Latim, não apenas para aqueles que gostam de usá-lo nas celebrações católicas, mas também e principalmente para uma mais sólida formação do clero.
Desde o dia 14 de setembro, algumas paróquias de São Paulo voltaram a celebrar a missa em latim, graças a uma autorização do Papa Bento XVI. Na realidade, o papa João Paulo II já havia permitido que algumas igrejas pudessem celebrar a tradicionalíssima missa tridentina. Mas, a partir de agora, o Vaticano aprovou oficialmente o uso do latim nos cultos litúrgicos, o que certamente pode trazer boas contribuições à Igreja. Afinal, faz parte da história da mais antiga instituição ainda atuante em nosso tempo, de aproveitar todos os contributos culturais das mais diferentes expressões da arte e da cultura, para alcançar o coração dos fiéis, motivando-os ao encontro com Deus.
Excluir totalmente o latim seria desprezar uma importante riqueza da Igreja, especialmente lingüística, pois os especialistas reconhecem a enorme importância do latim, principalmente na definição de conceitos chaves para os temas mais relevantes da vida humana. Desconhecer o latim é empobrecer-se intelectualmente, daí porque ele ser um dos idiomas mais ricos de toda a história. Tanto o latim quando o Direito foram dois legados essências deixados pelos romanos, que ainda hoje nos servem de base para compreender a civilização ocidental, do qual a Igreja tanto ajudou a moldar e que tanto elevou a humanidade a níveis até então nunca atingidos, no decurso da história.
Mesmo com as mudanças litúrgicas propostas pelo Concílio Vaticano II – e que são válidas – a Igreja sempre reconheceu o latim como sua língua oficial, sendo a que se fala e escreve até hoje no Vaticano. Foi uma decisão acertada do Papa Bento XVI autorizar o seu retorno, para aqueles que sentem-se mais identificadas com a forma tradicional de viver a celebração eucarística. A sabedoria é justamente isso: reconhecer e aceitar todas as possibilidades que permitam o autêntico enriquecimento humano, sob todos os aspectos. A Igreja sempre agiu no sentido de ampliar as possibilidades promissoras do ser humano, tanto no campo material, social, cultural e, principalmente, espiritual.
É certo que uma volta do estudo do latim serviria inclusive para uma melhor formação dos religiosos. A questão é que o estudo do latim é exigente, e muitas vezes, nos dias de hoje, muitos jovens preferem ficar no conhecimento das apostilas, do que sair da superficialidade e mergulhar, a fundo, nos livros. A filologia, por exemplo, é um segmento hoje pouco estudado, e muito importante para que haja um aprofundamento conceitual tanto na área de humanas, como também na de exatas e biológicas. O recurso à Internet, por mais interessante que seja, é sempre um conhecimento superficial. Há uma abundância de informações, mas pouca profundidade. Daí porque, com o latim, os estudiosos têm a oportunidade de ir mais fundo nas questões mais relevantes do conhecimento humano.
Há um outro aspecto importante a ressaltar no uso do latim. Antes do Concílio Vaticano II, o latim serviu de grande fator de unidade na Igreja, pois todos rezavam falavam a mesma língua. Isso ajudava muito a manter a unidade católica. Hoje, prevalece o relativismo, até o ceticismo em muitos segmentos inclusive religiosos. Certamente com o latim, muitos reencontrarão o valor e o sentido da vida, através da língua excelsa por excelência e que ainda pode nos ajudar muito na nossa caminhada em meio aos mistérios da fé.
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