BARGANHA ou Teoria das Decisões Independentes
(Thomas Schelling, Morgenstern)

Mais complexa que a teoria dos jogos, a teoria das decisões independentes está mais interessada em problemas relacionados à condução das negociações que nos resultados em si. Ela admite, além dos elementos lógico-estratégicos que admite a primeira, também os seguintes elementos sociais-psicológicos:

Manutenção da credibilidade da dissuasão;
As ameaças e promessas;
O blefe;
As opções condicionadas;
A escalada proposital ou a limitação de um conflito;
A formulação de políticas de controle de armas através de acordos tácitos ou formais.


Essa microteoria baseia-se na idéia de que os diversos problemas do sistema internacional podem ser resolvidos através da negociação - já que a barganha só pode existir enquanto houver um canal aberto entre os atores comprometidos.
Ela parte do pressuposto de que existe sempre um interesse mínimo mútuo que gera a "cooperação" entre os atores, mesmo que o cunho da relação entre eles não seja o de cooperação.
Apesar de admitir o uso da violência como forma de dissuasão ou meio de exercer influência/pressão, ela não se preocupa com a questão da prática da violência.
Ela admite a racionalidade dos atores, mas não acredita que essa racionalidade possa ser medida em níveis escalares quantitativos. Por isso, ela prefere a idéia de que existe uma "dialética motivacional" compelindo os atores a dar passos na direção a um resultado.
Escolhas baseadas na expectativa mútua de decisões convergentes não podem depender da lógica da abstração racional, mas principalmente de experiências históricas concretas.
Ela admite ainda que o resultado das negociações pode ser, afinal, muito melhor que o previsto - a medida em que se utiliza meios não-dispendiosos para conseguir resultados concretos. E que um resultado pode trazer muitos reflexos positivos ainda que não eram esperados, que não foram intencionalmente ou estrategicamente buscados: a abertura de canais de comunicação entre dois países, ou a identificação de outros focos de tensão que não seriam do conhecimento do ator e que podem vir a se tornar uma ameaça se escalarem, a montagem de uma estrutura ou procedimento de exportação para outro país por conta do abastecimento ou fornecimento de subsídios para a guerra.
Surge, a partir daí, a idéia de que não há nem conflito puro, nem cooperação pura: ambos partem de uma concorrência de interesses comuns ou divergentes que se sobrepõem numa negociação: "motivação mista".
A noção de jogo de soma zero é irrelevante.

SIMULAÇÃO


A idéia de simulação é diferente da idéia que fazemos de jogo. Apesar de estarem relacionadas, elas se distanciam, pois a representação dos jogos tem um fim em si mesma - já que as estratégias e resultados foram pré-definidos para aquele jogo em específico -, enquanto a simulação busca a experimentação de fenômenos internacionais, que não se pode manipular, através da construção de modelos dinâmicos, análogos e isomórficos da realidade.
O objetivo da simulação e seu papel na construção da teoria é o de testar hipóteses das ciências sociais. Contudo, a idéia de que as simulações poderiam ser usadas para verificar hipóteses propostas pelas ciências sociais não é bem aceita. Questiona-se até que ponto um modelo simplificado, e isolado, da realidade pode ser útil para a previsão de acontecimentos reais no sistema internacional. Um mesmo caso, nas relações internacionais, pode ter diferentes resultados - o método indutivo não é capaz de trazer conclusões confiáveis sobre as RI.
Por isso, valoriza-se mais sua capacidade de experimentação que de verificação - já que elas se mostram mais eficientes como um exercício de treinamento ou prática do funcionamento de sistemas políticos que para a previsão de fenômenos ou a empirização dos resultados futuros. Seu mérito é, então, antes o de contribuir para o entendimento do funcionamento do sistema político, que o de ser uma ferramenta científica de verificação de hipóteses e variáveis.


 

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