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Teoria
dos Jogos
A teoria dos jogos consiste numa análise simples que
compara as apostas dos jogadores e os resultados finais dos
jogos, para que se possa avaliar os ganhos e perdas relativos
de cada jogador, bem como a eficácia das estratégias
utilizadas por eles.
Para que essa teoria possa ser empregada em diversas situações
é preciso pressupor que:
- Os jogadores sejam racionais e reconheçam-se como tais,
desejem vencer (ou maximizar seus resultados) acima de tudo,
e tenham a preocupação de adivinhar o próximo
passo do oponente.
- Cada jogo possui um conjunto de regras próprias e pré-definidas;
- Existe uma paridade de conhecimento e habilidade entre todos
os jogadores;
- Os jogos acontecem em ambientes abertos e integrados - podem
ter como cenário - qualquer nível de análise,
ou esfera;
- Deve existir uma interdependência entre os movimentos
dos jogadores, em que cada escolha sucessiva de um jogador incita
o outro a alterar suas escolhas subseqüentes;
- Recompensas que podem ter significados diferentes para cada
jogador dependendo de seus sistemas de valores.
Normalmente os jogos são representados esquematicamente
de forma simplificada - não são dados detalhes
sobre o jogo - apenas as estratégias e as apostas dos
jogadores (ou seja, o resultado esperado) são representados
abstratamente através de números. (indicadores)
O jogo de soma-zero
Entre dois jogadores, um necessariamente ganha na mesma proporção
em que o outro perde. Assim sendo, se um nada ganha, também
o outro nada perde. Um exemplo simples é o processo de
sucessão presidencial: o candidato eleito ganha o cargo
que o presidente atual deve perder ao final de seu mandato.
Normalmente, o jogo de soma zero simboliza para as relações
internacionais aquelas manobras que não alteram o equilíbrio
de forças no sistema internacional.
O duplo jogo de soma-zero
Acontece, em especial, nas relações comerciais
nas quais há uma troca equivalente: um recebe um pagamento
pelo serviço prestado a outro; ou seja, o que paga o
preço tem, por outro lado, a satisfação
do serviço prestado, e o que presta o serviço
tem, também em contrapartida, o pagamento de seu trabalho,
constituindo-se dois jogos simultâneos de soma-zero.
O
jogo de resultado positivo ou negativo
Quando ao final do jogo, a relação original (de
paridade ou disparidade) entre os jogadores é alterada.
Analisemos os casos:
| Ai |
Bi |
Af |
Bf |
Ar |
Br |
Resultado |
| 1 |
1 |
2 |
1 |
+1 |
0 |
A
ganha vantagem em relação a B
(paridade - disparidade) |
| -1 |
1 |
1 |
1 |
+2 |
0 |
A
alcança a vantagem de B
(disparidade - paridade) |
| 0 |
1 |
2 |
0 |
+2 |
-1 |
A
alcança a vantagem e ainda exerce pressões
sobre A |
| 1 |
1 |
0
|
1 |
-1 |
0 |
A
sai em desvantagem em relação a B |
O
dilema dos prisioneiros
Baseado numa situação fictícia na qual
dois indivíduos, cúmplices de um crime, são
levados à delegacia para interrogatório, colocados
em salas isoladas e impedidos de se comunicarem. Durante o interrogatório
eles devem decidir sozinhos que opção lhes favoreceria
mais.
- Se ambos mantiverem silêncio e negarem todas as acusações,
deverão passar 60 dias na cadeia por falta de provas
concretas;
- Se um deles confessar o crime e o outro permanecer em silêncio,
o primeiro tem um ano de pena comutado e o que se recusou a
confessar deve pegar 10 anos de detenção;
- Se ambos confessarem, a pena cai de 10 para 5 a 8 anos de
prisão.
Como eles não podem se comunicar, não têm
idéia de como o outro irá se comportar durante
o interrogatório (se sucumbirá ou não às
pressões do delegado), por isso ambos escolhem a solução
que mais seguramente reduzirá sua pena. Considerando,
o primeiro, que o segundo é também um jogador
racional e que, provavelmente não se arriscará
por um alto grau de incerteza, decide, então, por confessar
o crime.
O dilema dos prisioneiros, nas relações internacionais,
é o que explica que em certos casos os atores internacionais
se despojem de sua first priority - por ser esta por demais
dispendiosa e arriscada - e optem por uma estratégia
que lhes garanta a obtenção de sua second priority.
O resultado dos jogos pode ser fruto da cooperação
explícita entre os jogadores, ou pode também ser
um resultado independente. Sendo independente, esse resultado
pode ainda ser aleatório, ou seja, calculado sem a interferência
de sinais que indiquem a posição do outro jogador,
ou também ser conseqüência da observação
de indícios ou de uma comunicação tácita
que sugira que o resultado será suplantado por ambos.
A diferença entre a teoria de decision making e da teoria
dos jogos é basicamente uma diferença focal. Em
outras palavras, a primeira preocupa-se com o processo decisório
em si - concorrência de alternativas, definição
do agente decisor -, enquanto a teoria dos jogos ocupa-se da
sistematização e avaliação dos resultados
dos jogos e das estratégias neles empregadas.
TEORIA DOS JOGOS NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS
Antes
de tudo, é preciso deixar claro que as relações
internacionais não podem ser totalmente compreendidas
apenas através da teoria dos jogos. Essa teoria é
que encontra aplicações específicas tanto
ao estudo das relações internacionais quanto em
outros campos de estudo, por isso, adquirindo o status de ferramenta
de análise.
Para as relações internacionais, a teoria dos
jogos tem aplicação, sobretudo, na tarefa de melhor
representar os resultados das negociações entre
os atores internacionais para que se faça uma avaliação
objetiva da eficiência relativa das estratégias
empregadas.
A teoria dos jogos popularizou-se rapidamente nas relações
internacionais devido ao seu alto grau de sistematização
e objetividade. Utilizar a teoria dos jogos como ferramenta
de análise exige que os analistas delineiem primeiro,
e com muita fidelidade, os objetivos iniciais dos jogadores
e as estratégias usadas por eles para que só então
se conceba lógica e matematicamente o resultado do jogo.Considerando-se
que o estudo das relações internacionais é
muitas vezes um trabalho de abstração ou da teorização,
a teoria dos jogos veio conceder-lhe novamente a vida da análise
estratégica de questões objetivas.
Esse procedimento é bastante útil, sobretudo quando
o grau de complexidade de uma situação é
tamanho que não se sabe ao certo, ao final das negociações,
quem se favoreceu ou desfavoreceu com o resultado e qual foi
o critério adotado para essa análise comparada.
Mesmo assim, a teoria dos jogos não é imparcial.
Assim como toda ferramenta, ela depende diretamente do critério
adotado pelo analista para a descrição das regras
e dos propósitos do jogo. Uma mesma negociação
pode, por exemplo, ser representada por vários "jogos"
diferentes - a depender do analista e do critério por
ele adotado.
A teoria dos jogos é usada tanto para analisar negociações
já concluídas quanto para avaliar, medir ou pesar
possibilidades de escolha. Ex.: Coréia (apostila. PECEQUILO,
Cristina.)
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