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Teoria
da Integração
Desenvolvimento da Teoria da Integração
(Joseph Nye)
Integração pode ser definida como um ato de cooperação
entre Estados no nível regional e/ou mundial, podendo
ou não se permanente. A integração é
observada no campo econômico, político e componentes
legais. Segundo Nye, para tornar a teoria mais qualitativa dever-se-ia
fazer uso da cláusula cetéris paribus, ou seja,
analisar um ponto primeiramente tomando os outros como fixos.
O que no início se observara era um esforço para
incorporar as proposições da literatura neofuncionalista,
algo que provasse a importância da coação
e o impacto no Sistema Internacional causado pela integração.
Na década de 1970, são ressaltados movimentos
para provar que a integração é um fenômeno
multidimensional, enquanto na década de 1980, há
uma maior ênfase no estudo da integração
regional, através do estudo de casos específicos.
Especialmente após o fim da II Guerra Mundial e com a
consolidação da Comunidade Européia, o
interesse neste assunto sofreu um grande aumento.
Ainda segundo o autor, a questão central é a identificação
e análise das forças que contribuem para a formação
e integração das comunidades políticas.
Através deste premissa, Nye nos oferece duas alternativas
em relação à Política de Integração:
a) Sistemas políticos ganham e mantêm a coesão
através da distribuição dos valores a todos
os membros e um acordo geral sobre a estrutura do sistema;
b) O sistema político se torna ou continua coeso por
causa da presença de um tratado de força.
Geralmente, Realistas dão maior enfoque a segunda alternativas,
pois parte da premissa de que a cooperação só
ocorre através da coerção e não
coação. Entretanto neste texto se dará
maior importância a primeira alternativa, pois se baseia
na premissa de que a Aldeia Global é a chave para a redução
da violência, quando o monopólio de poder se encontra
ao nível internacional.
Teoria
Funcionalista
Possui como principal autor, David Mitrany, o qual escreveu
durante o período entre guerras, sugerindo que o crescimento
da complexidade do sistema governamental aumentou consideravelmente
a essenciabilidade técnica (assuntos não políticos
frente ao governo). O crescimento da importância de tais
questões no século XX fez necessário a
criação da estrutura de cooperação
internacional.
O ponto principal para a Teoria Funcionalista é a integração
política acerca de um centro decisório, no qual
os atores políticos dirigem suas legislações
e atividades políticas. (Amitai Etzion e Ernest Haas).
Ou seja, nas palavras de Leon N. Lindeberg, os atores renegam
seus desejos e habilidades em conduzir sua política externa
independentes para delega-los a um novo centro, iniciando o
processo de integração internacional, além
dos benefícios e seus conseqüentes danos devem ser
divididos igualmente, o atores devem ter a noção
da perda de status no Sistema Internacional e as decisões
devem ser tomadas por consenso.
Todavia nem todos os autores concordam com esta visão
de um centro no comando da unidade integrada, Donald J. Puchala,
analisa a integração como um conjunto de processos
que produz e mantêm a concordância do sistema ao
nível internacional, ou seja, os atores descobriram a
consistência exata para harmonizar seus interesses, ajustar
suas diferenças e receber as recompensas pela cooperação.
Também o autor Karl W. Deutsch concorda com esta posição.
Alguns teóricos de cunho Realista, como Charles Pentland,
vêem a integração política como um
processo que inibi ou abole o poder soberano do Estado-nação
moderno. A população (ou melhor as elites) do
Estado é parte muito importante deste processo de integração,
pois podem constranger a entrada de seu país em uma organização
caso os custos desta entrada sejam maiores que os benefícios
prováveis desta união, ou se o risco de uma punição
for pequeno.
Intrinsecamente a esta teoria, há a microteoria da ramificação
ou spill over, escrita por Ernest Hass, acredita que o desenvolvimento
da colaboração em um campo técnico gera
um comportamento comparável em outros campos técnicos,
ou seja, colaboração funcional em um setor gera
a necessidade de colaboração em um outro, contribuindo
para a manutenção da paz, pois os atores ficam
inibidos de tomarem ações unilaterais que prejudique
os seus parceiros.
Em relação a segurança, a integração
econômica no nível nacional está dividida
em duas (Karl Deutsch):
a) Centralizada (amalgama): uma única unidade com um
governo comum, onde se encontra compatibilidade de valores,
expectativas, multiplicidade dos meios de comunicação
e transação, além da mobilidade de pessoas;
b) Pluralista: governos separados que retêm sua independência
legal. Também observa-se compatibilidade dos valores
entre os decisores, receptividade mútua e a velocidade
dos governos ao responder aos estímulos sem recorrer
a violência.
Outra observação de caráter funcionalista
é a visão de Karl Deutsch. Se os acordos de cooperação
forem de caráter militar, ou houve um crescimento das
diferenças lingüísticas e étnicas,
estagnação, falha na formação de
um grupo, demora excessiva nas reformas políticas, sociais
e econômicas, facilmente este acordo ou bloco será
desintegrado, por exemplo o Império Austro-Húngaro.
Teoria Neofuncionalista
Possui como principal base os estudos de casos concretos e os
testes de hipóteses sobre o processo de integração
política.
Ernest Haas possui uma participação significativa
nesta teoria, foi este teórico que analisou a hipótese
de custo X benefício, quando um Estado opta por inserir-se
em um processo de integração caso os benefícios
forem maiores que os custos, além de haver concluído
que as decisões sobre esta finalidade partirem das elites
do governo e dos setores produtivos, não diretamente
dos Estados. Todavia como na Teoria Funcionalista, os atores
percebem, que, através de uma grande organização
e da cooperação, seus interesses nacionais são
melhores e mais facilmente alcançados.
Acredita-se que arranjos regionais estão mais propensos
a alcançar a integração que uma organização
de representantes do mundo inteiro, já que, com menos
membros a probabilidade destes concordarem sobre os assuntos
da agenda é maior.
Intrinsecamente a esta teoria, os teóricos Haas e Philippe
Schmitter levantaram uma série de proposições
em cima da afirmação de que uma organização
internacional pode ultrapassar as fronteiras do Estado e assim
modificar as políticas de governo. Organizações
e seu conjunto de leis formam a estrutura do Sistema Internacional.
Estas estruturas recebem estímulos que são convertidos
em ações. Deste modo observa-se alterações
no Sistema Internacional:
a) ao produzir a integração;
b) ao levar a desintegração através da
análise dos propósitos que uma vez os uniram.
Na Teoria Neofuncionalista, além do spill over ou ramificação
explicado no início do texto dentro da Teoria Funcionalista,
há também:
Spill around: aumento no alcance das funções
executadas pelo centro da organização de integração
mas não significa aumento da autoridade;
Spill back: retorno do alcance das funções
e autoridades do centro da organização de integração
para antes do processo (menos atores);
Build up: aumento de autonomia nas decisões do
organismo de integração sem gerar novos problemas
ou assuntos de agenda;
Retrenchement: aumento no nível da arbitragem
unida enquanto reduz a autoridade do centro da organização
de integração (menos funções, mantendo
o mesmo número de atores).
Através destas afirmações chega-se a três
hipóteses sobre a integração:
1) Contínuos spill over levam ao surgimento de novos
problemas e assuntos de agenda;
2) Quanto menos distintos forem spill around há maior
probabilidade de serem geradas bases para um maior avanço
na integração política;
3) Como a expectativa de ganhos econômicos (pragmáticos)
não reforça o compromisso ideológico, um
processo político de integração que estiver
construído apenas nesses interesses, com certeza, será
fraco e suscetível a anulação.
Uma quarta hipótese foi formulada por Bruce M. Russet,
o qual definiu uma tipologia, dividindo o mundo através
de 54 variáveis (dentre elas PIB, o grau de escolaridade,
renda per capita, mortalidade infantil), em quatro fatores que
favoreceriam a integração entre os Estados:
a) Desenvolvimento econômico: Ásia e África;
b) Comunismo: Comunidade Leste;
c) Cultura católica: América Latina;
d) Agricultura intensiva: Leste Europeu.
Ou seja, caso um país esteja classificado como pertencente
a uma destas quatro divisões, será mais fácil
a este se integrar ou até mesmo se relacionar com outros
países pertencentes a esta mesma divisão.
Joseph Nye e o Neofuncionalismo
Nye oferece duas variáveis principais em seu estudo:
1) mecanismos de processo (variável independente), divididos
em sete pontos, e 2) potencial para a integração
(variável dependente), dividida em quatro pontos.
1.1 spill over;
1.2 aumento das transações comerciais;
1.3 ligações deliberadas e formação
de coalizões: os problemas estão ligados deliberadamente
em pacotes de acordo, por causa das projeções
políticas e ideológicas e não pela necessidade
tecnológica. Os Estados se unem em coalizões porque
possuem um inimigo ou um problema em comum;
1.4 socialização da elite: que possui interesses
diretos ou indiretos na integração. São
importantes pois é uma formadora de opinião;
1.5 formação de bloco regional: com passar do
tempo mais interesses são agregados e o bloco é
aumentado;
1.6 atração ideológica e de identidade:
diminui a ocorrência de ataques diretos a integração;
1.7 envolvimento de atores externo no processo de integração:
tanto Estados como Organismos Internacionais e Organizações
Não-Governamentais são considerados catalisadores
do processo.
2.1 simetria ou igualdade econômica entre as unidades
políticas;
2.2 complementaridade dos valores das elites;
2.3 existência do pluralismo;
2.4 capacidade dos membros de se adaptarem e reagir aos estímulos:
quanto maior o nível da estabilidade doméstica
e a capacidade dos decisores para responder a demanda de seus
Estados, melhor estarão capacitados para participar de
uma integração.
Aliança
de Coalizão (Robert E. Osgood)
As alianças foram criadas para otimizar o alcance dos
objetivos dos membros, geralmente quando este é obtido
a aliança se desfaz, já que não há
mais necessidade de mantê-la. Em sua grande maioria as
alianças são criadas em tempo de conflitos externos
ou até mesmo internos, mas que afetem a outros Estados
interessados.
Uma grande vantagem de estar em uma aliança é
o fato de todos os signatários serem compelidos a agir
de modo que não prejudiquem os demais e busquem o bem
da maioria. Se desobedecida uma cláusula poderão
sofrer sanções do próprio Sistema Internacional,
assim como ocorrido no caso da bomba atômica americana.
Além da criação ou da desintegração
de uma aliança causar mudanças e um novo status
no Sistema Internacional, provocando novas responsabilidades.
Segue abaixo uma lista das características que são
encontradas nas alianças de coalizão ou que favorece
a sua criação, analisadas por George F. Liska
e William R. Riker:
Alianças se desfazem quando alcançados
os objetivos;
O decisor, geralmente, se utiliza do cálculo custo
X benefício ao decidir integrar ou não uma aliança
de coalizão, assim como também analisa as vantagens
de agir dentro de uma aliança ou agir unilateralmente;
Seus objetivos estão relacionados com benefícios,
em geral, segurança, estabilidade e status;
Após a vitória seu tamanho deve ser reduzido;
Alianças são de suma importância
na obtenção do equilíbrio de poder;
Se todas as informações estão contidas
em poucos Estados, estes formam, segundo Riker, alianças
do menor tamanho possível, englobando somente os Estados
detentores de informação necessária;
Toda criação de uma aliança resultará
na criação de uma contra-aliança para conter
a primeira;
Estados menores tendem a se aliar a outros Estados menores
que com uma potência, e, assim tentar diminuir a sua influência
(Robert Rothstein);
Os links de comunicação contribuem para
a formação de coalizões maiores do que
a necessária para alcançar seu objetivo inicial.
Entretanto
autores como Stephen M. Walt estudaram a aliança de coalizão
através de conceitos como a razão de Estado e
o equilíbrio de poder, ou seja, através de uma
visão mais realista e pessimista.
O Estado se alinha com outros Estados somente quando
tem certeza da sua auto-preservação, tanto no
sentido literal da palavra como no sentido de status;
Estados fracos se aliam a Estados dominantes, pois sozinhos
ou em conjunto com outros Estados fracos, pouco alteram o Sistema
Internacional;
Estados fracos somente se aliam a outros Estados de mesmo
nível se tiverem certeza da vitória iminente;
As alianças são baseadas no poder e na
sua intenção ou ambição;
Deve haver similaridade política entre os membros,
enquanto Estados estáveis internamente e externamente
tendem a buscar parceiros com ideologia similar a sua.
Estados fracos somente se aliam a outros Estados de mesmo
nível se tiverem certeza da vitória iminente;
As alianças são baseadas no poder e na
sua intenção ou ambição;
Deve haver similaridade política entre os membros,
enquanto Estados estáveis internamente e externamente
tendem a buscar parceiros com ideologia similar a sua.
Michael
Paltfeld enxerga os decisores do Estado em um dilema: o que
seria melhor, uma aliança de coalizão ou o investimento
em armamento pesado? O decisor também deve analisar o
fato de, uma vez dentro de uma aliança, terá que
cooperar, ou seja, seus recursos, que como de todos os outros
Estados são finitos, deverão ser utilizados em
prol do bem comum. Outro fator que muitas vezes impede o Estado
de integrar uma aliança é a visão da perda
de autonomia frente ao SI.
Hipótese: O nível de engajamento e armamento (variável
independente) está relacionada com a extensão
do alcance do objetivo almejado.
O seu declínio e dissolução estão
ligados ao declínio na utilidade marginal na saúde
civil, na produtividade marginal, na utilidade marginal de segurança,
ao aumento marginal de armamento, na utilidade marginal da autonomia.
| Macroteoria |
Integração |
| Variáveis
Independentes |
Sistema
e estabilidade política e econômica, cultura,
nível de desenvolvimento, número de participantes,
tipo de integração (econômica e/ou política,
por exemplo), situação de crise. |
| Variáveis
Dependentes |
Maior
ou menor nível de integração, coesão
entre os membros da organização, aumento na
simetria econômica entre as unidades políticas. |
| Microteorias |
Funcionalismo,
Neofuncionalistmo, Aliança de Coalizão. |
| Atores |
Estados
(principais), Elites, Decisor, Organismos Internacionais
e Não-Governamentais (como atores secundários
ou catalisadores do processo. |
| Hipóteses |
|
| Funcionalismo |
a distribuição de benefícios e responsabilidades
a todos os permite maior coesão da organização
os atores devem ter noção da perda
de status no SI e delegarem as suas legislações
e atividades políticas a fim de promover uma maior
integração política e melhor administração
desta. |
| Neofuncionalismo |
o ator opta por entrar ou não em um processo de integração
caso o cálculo custos X benefícios lhe seja
favorável.
o SI é alterado quando é criada uma
integração ou quando há a desintegração
de uma organização como a U.E. ou o Mercosul,
pois altera o equilíbrio de poder e a correlação
de forças.
como a expectativa de ganhos econômicos em
curto prazo (pragmáticos) não reforça
o compro-misso ideológico, um processo de integração
que estiver construído nesses interesses será
fraco e suscetível à anulação.
quanto maior o nível da estabilidade doméstica
e a capacidade dos decisores para responder a demanda de
seus Estados, melhor estarão capacitados para participar
de uma integração. |
| Aliança
de Coalizão |
o decisor opta por entrar ou não em uma coalizão
através do custos X benefícios.
o número de atores para a criação
de uma aliança depende da quantidade de informação
necessária.
alianças entre atores com ideologia e política
similares são mais facilmente criadas.
o nível de armamento e engajamento está
relacionado com a extensão do alcance objetivado. |
| Spill
Over |
contínuos
processos de spill over levam ao surgimento de novos problemas
e assuntos de agenda. |
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