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Realismo
Conceitos clássicos:
O Estado é o único ator e é caracterizado
como unitário e racional. Organismos como a OTAN não
são atores porque são compostas de Estados independentes,
autônomos e soberanos, sendo estes quem determinam as
ações da organização, ou seja, estas
não passam de instrumentos da política do ator.
Por que unitário? Porque o governo responde como uma
só voz no exterior, ignorando as opiniões internas,
assim com o decisor no processo de tomada de decisão,
no caso do realismo o líder pode até ouvir as
opiniões das elites e de outros setores do governo e
da sociedade civil, entretanto a decisão final é
de sua responsabilidade.
Por que racional? Porque a sua política externa é
racional, seu processo de tomada de decisão inclui uma
lista dos objetivos, considerando todas as alternativas possíveis
em termos de capacidade, probabilidade de alcançar os
objetivos e os custos X benefícios de cada alternativa,
organizando as suas alternativas de acordo com aquelas que lhe
atendem melhor a seus interesses passando para as que atendem
de forma mediana. Outro ponto que deve ser ressaltado é
abstinência da política interna, esta não
exerce nenhuma influência na externa, são duas
esferas separadas e independentes.
O assunto de agenda mais importante é a segurança
nacional, ou seja, a proteção do território,
sistema político, ideologias e principalmente da soberania.
Segundo os realistas a política é dividida em
high politics e low politics:
High politics: segurança militar, ou questões
estratégicas;
Low politics: economia, social, política doméstica.
Também se observa o uso da Teoria dos Jogos, onde envolve
o uso de simplificações de suposições
como ajuda para desenvolver hipóteses e teorias sobre
as causas dos vários fenômenos internacionais,
incluindo guerras e corridas armamentistas. Há vários
tipos de jogos, entretanto nenhum deles é completo o
suficiente para explicar o sistema internacional ou as ações
dos atores.
O objetivo maior da teoria realista consiste em explicar a realidade
como ela é de fato e não como ela deveria ser,
explicando as causas e conseqüências do conflito,
sendo resultado da colisão dos interesses nacionais de
Estados distintos. O maior objetivo dos Estados é a busca
de seus interesses nacionais baseados no conceito de poder,
estes tentam maximizar a probabilidade de alcançar seus
objetivos, não importando os meios utilizados para isso.
Esta explicação relaciona-se com o conceito de
Realismo clássico que possuir como principais autores:
Thucydides (471 - 400 a. C.) com a sua obra "Guerra
do Peloponeso" - estuda as forças, a política
de poder e os motivos que levaram os líderes dos Estados
a entrarem no conflito. Estes motivos foram delineados como
medo e mudança no equilíbrio de poder. O medo,
fator importante, identifica/mostra a verdadeira natureza humana
e a natureza das políticas interestatais. O medo pode
levar a guerra e o poder será responsável por
determinar o resultado.
Maquiavel (1469 - 1527 d.C.), os assuntos principais
contidos em sua obra: "O Príncipe" são:
poder, equíbrio de poder, formação de alianças,
causa dos conflitos. Observa-se uma grande ênfase na realpolitik
(relação de poder entre as nações,
"fins justificam os meios", interesse nacional) e
na segurança nacional.
Maquiavel separa a ética da política, e a definiu
sob dois prismas diferentes:
1. Ética convencional: religião - salvação
posterior e individual.
2. Ética moral: obrigações morais para
restringir as ações e, assim, assegurar a segurança
nacional. Líderes devem ser bons até onde conseguirem
e devem praticar o mal se necessário.
Hobbes (1588 - 1679 d.C.) com a sua obra "O Leviatã",
definiu a natureza humana, sendo esta sempre mau e cruel, os
homens não são passíveis de cooperação,
são solitários e desconfiados. O ponto principal
de sua obra é a política doméstica, onde
o poder se encontrar centralizados em um líder político
autoritário.
Hobbes definiu o Estado de Natureza como uma guerra de todos
contras todos, um estado de medo contínuo, assim seria
o mundo sem um governo autoritário ou alguma estrutura
social, entretanto as pessoas se unem e delegam o poder a um
líder, através de um contrato social, abrindo
mão de sua liberdade em troca de segurança e fim
da anarquia do Estado de Natureza.
Pode-se afirmar que as relações políticas
entre Estados soberanos funcionam como Estado de Natureza, todavia
não há um poder central para por fim a anarquia
e impor ordem. Ou seja, conclui-se que o Sistema Internacional
é naturalmente anárquico e palco de competição
e conflito.
Um importante conceito a ser definido é poder. Não
há consenso entre a definição do que é
poder, muitos autores o definem como meio e objetivo - através
do qual se mede as capacidades dos - Estados e a sua forças.
Uma união das capacidades militar, econômica, tecnológica,
diplomática a disposição do Estado.
Entretando outros teóricos não acreditam ser válida
uma definição que não considera o poder
ou capacidades de outros Estados. Outra definição,
ligada as relações entre os Estados é a
de que o poder é a influência exercida pelo Estado
a um terceiro.
Considerando os conceitos de soft power (economia, política
doméstica) e hard power (geografia, população,
capacidade militar, industrial, poder de conversão),
o segundo é o mais aceito pelos realistas.
O equilíbrio de poder é dividido em unipolar,
bipolar e multipolar, dependendo da quantidade de potências
atuantes no Sistema Internacional. Sendo este equilíbrio
de poder um catalisador para a ordem do SI, através da
competição que ocorre entre os Estados, enquanto
buscam, independentemente um do outro, os seus interesses e
objetivos.
Intrinsecamente ao Sistema Internacional observa-se processos
de interdependência (assimétrica e simétrica),
entretanto este processo não necessariamente é
vantajoso, pois para os Realistas a interdependência sempre
representará uma relação assimétrica,
onde um Estado estará vulnerável às ordens
e vontades do outro Estado mais "forte", todavia os
resultados observados em um Estado nunca serão iguais
aos observados em um terceiro. Para os Realistas em geral a
interdependência ao invés de trazer paz pode ser
responsável por gerar o conflito.
Realismo contemporâneo (pós 1945)
Quando esta corrente teórica surge, o mundo se encontrava
mergulhado em um pessimismo generalizado.
Porém nesta concepção do realismo, a ordem
no Sistema Internacional, mesmo este sendo anárquico,
é possível através do equilíbrio
de poder, podendo ultrapassar o caos natural estabelecido pela
concorrência entre os Estados em busca de seus interesses
nacionais, vivendo num Estado de natureza de perigo de guerra
constante.
Autores importantes:
Edward Carr (1919 - 1939) analisa o período entre
guerras em sua obra "20 anos de guerra". Carr argumentou
que o medo é um dos grandes responsáveis por levar
Estados a guerra, assim como o desejo destes de buscar mais
poder, ou seja, a necessidade por poder parece ser insaciável.
As relações internacionais ocorrem neste meio,
em uma sociedade anárquica de Estados soberanos. Todavia
estas características do sistema também foram
muito influenciadas pelos líderes dos Estados, que criam
equilíbrio de poder, regras de comportamento e normas
baseadas em uma suposta moral universal.
O poder, a seu ver, deve ser mensurado de acordo com a questão
a qual se refere, por exemplo, um Estado forte economicamente
e fraco militarmente, em questões relacionadas ao comércio,
as finanças entre outros, será muito poderoso,
entretanto se a questão estiver relacionada a segurança
de um território ou a uma ajuda militar a um terceiro
Estado, será considerado fraco.
Seu trabalho é considerado uma crítica ou resposta
à utopia e ao idealismo.
Hans Morgenthau, adepto da realpolitik e da política
pelo poder, enfatizava as high politics. Considerado pai do
Realismo Contemporâneo, afirmava que os Estados estavam
em constante luta pelo poder. Este teórico delineou o
que seriam os seis princípios do realismo:
1. a política tem a sua regra própria e deve ser
julgada por critérios políticos;
2. realismo político é o interesse definido em
termos de poder. Estados só agem em termos de poder,
sendo este o meio e o fim de suas ações;
3. interesses definidos em termos de poder variam conforme a
época, ex: antigamente dava-se maior ênfase a extensão
do território, atualmente o poder econômico e político
são mais estudados;
4. esfera política deve ser separada das demais;
5. custos X benefícios - clareza quanto aos meios e os
objetivos;
6. a moral não deve ser misturada com a política.
Neo-realismo
Surgiu como uma resposta ao neoliberalismo. Algumas premissas
básicas permanecem, como a impossibilidade de cooperação
entre os Estados por livre e espontânea vontade. Entretanto
a first priority deixa de ser a soberania e passa-se a dar mais
importância a sobrevivência do sistema.
Para os neo-realistas, as esferas da política doméstica
e internacional são distintas, sendo:
Política doméstica organizada, com a existência
de um governo central para administrar as relações
entre os homens.
Política internacional é desorganizada,
descentralizada e anárquica, sem a presença de
um organismo regulador (não há entidade superior
que os Estados). Todos contra todos.
O Sistema Internacional, sendo palco da política internacional,
pode ser comparado ao mercado, onde os agentes econômicos
influenciam o mercado assim como este influencia os agentes.
Do mesmo modo ocorre com o Sistema Internacional e os Estados,
estes agem e interagem de maneira autônoma e individual
para atingir seus próprios interesses. Esta definição
surgiu de uma junção entre a Teoria Microeconômica
e o equilíbrio de poder. Para simplificar: Agentes mercados,
portanto SI Estados.
Para os neo-realistas o Sistema Internacional também
pode ser definido como conjunto de interações
entre os Estados e outros atores não estatais, esta é
uma visão mais liberal, onde o Sistema Internacional
é uma ferramenta cuja função seria auxiliar
a explicar e a descrever os fenômenos.
A função do Estado no Sistema Internacional é
determinada de acordo com os recursos e capacidade de poder
nacional, ou seja, um Estado com poucos recursos provavelmente
terá um papel de coadjuvante no SI, enquanto um Estado
com alto poder de conversão tecnológica, recursos
militares, naturais e etc, possuirá um papel maior, ex:
Burundi não possui o mesmo papel e "peso" nas
relações diplomáticas que os EUA.
Teoria
da Estabilidade Hegemônica
Esta microteoria (com bases na economia liberal) considera que
um Estado hegemônico, ou potência dominante assume
a responsabilidade global como meio de por fim ao caos encontrado
no Sistema Internacional, por exemplo, a Inglaterra no século
XIX. A potência hegemônica pode trazer como resultado
uma hegemonia de influência "maléfica"
ou "benéfica", contudo o Estado hegemônico
não se encontra livre do declínio. Como pode-se
observar, os EUA tiveram sua ascensão durante o século
XX e atualmente verifica-se o seu declínio como potência
hegemônica (como afirmam os declinistas), o que não
implica que este Estado deixe de ser potência. As potências
hegemônicas se encontram dentro de um ciclo de ascensão
e queda.
Desta microteoria surgiram os Regimes Internacionais, que podem
ser definidos como princípios, normas e regras que regem
uma área (econômica, militar, comercial, etc) das
Relações Internacionais, quando as expectativas
dos atores são convertidas em ações, discussões
delegadas por um centro ou uma micro hegemonia.
Variável Dependente: regime internacional.
Variável Independente: influência possível
no comportamento dos Estados.
Ou seja, quanto maior for a influência econômica,
por exemplo, exercida por um Estado a terceiros, mais facilitada
será a criação de um regime internacional
na área econômica com este Estado como líder.
Obs:
Estados soberanos - são Estados que buscam o direito
de ser independentes e autônomos em relação
a outros Estados.
Anarquia - ausência de qualquer autoridade sobre os Estados,
não há poder maior.
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